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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pedro, papa?

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (16.18)



A expressão “sobre esta pedra” está relacionada à resposta de Pedro, que disse: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo.” É sobre Cristo que a Igreja foi edificada e não sobre Pedro. Jesus afirmou que Ele próprio era a pedra (Mt 21.42). A afirmação de Jesus é uma interpretação veraz do Salmo 118.22. O próprio Pedro identifica Jesus como sendo a pedra (At 4, 11, 12; 1Pe 2.4-6). Se Pedro foi papa durante vinte e cinco anos, então existe algo errado, já que o apóstolo foi martirizado no reinado de Nero, entre os anos 67 e 68 a.D. Subtraindo desta data vinte e cinco anos, retrocederemos ao ano 42 ou 43 a.D. Nessa época, não havia sido realizado ainda o Concílio de Jerusalém (At 15), que ocorreu por volta do ano 48 a.D, ou um pouco depois. Pedro participou do Concílio, mas foi Tiago quem o realizou e presidiu (At 15.13, 19).



O apóstolo Paulo escreveu sua epístola aos romanos no ano 58 a.D. e, no capítulo 16, mandou saudação para muita gente em Roma, mas Pedro sequer é mencionado. Por outro lado, Paulo chegou a Roma no ano 62 a.D. e foi visitado por muitos irmãos (At 28.30,31). E também nesse período não há nenhuma menção a Pedro ou a algum papa. O apóstolo Paulo escreveu quatro cartas de Roma: Efésios, Colossenses e Filemon (62 a.D.) e Filipenses (entre os anos 67 e 68 a.D.). Todavia, Pedro não é mencionado em nenhuma delas e, novamente, não se tem notícia do suposto pontificado de Pedro.



Devemos, ainda, considerar o texto em estudo e seu contexto:

1) Enquanto Pedro é mencionado na segunda pessoa (tu), a expressão “esta pedra” está na terceira pessoa.

2) Pedro (petros) é um substantivo masculino, enquanto pedra (petra), um feminino singular. Conseqüentemente, estas palavras não têm a mesma referência. Ainda que Jesus tivesse falado em aramaico, o original grego inspirado traz as distinções. O interessante é que até as próprias autoridades teológicas católicas concordam que a referência bíblica em estudo não está relacionada a Pedro.



O destaque aqui é para João Crisóstomo e Agostinho.

Agostinho, em seu comentário sobre o evangelho de João, escreveu: “Nesta pedra, então, disse Ele, a qual tu confessaste, eu construirei minha Igreja. Esta Pedra é Cristo; e nesta fundação o próprio Pedro construiu.” Assim, não existe fundamento bíblico nem subsídio histórico para consubstanciar a figura de Pedro como papa (Ef 2.20).



E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.



Com base nesta afirmação de Jesus a Pedro, ensina o Catolicismo Romano, que tanto esse apóstolo quanto seus sucessores foram revestidos de um poder especial e exclusivo, tornando o papado infalível.



A doutrina católica sobre a infalibilidade papal não encontra apoio nas Escrituras. Jesus, de modo algum, outorgou autoridade a outras pessoas para exercerem, de forma singular, a liderança (como cabeça) de sua Igreja. Com base em Mateus 18.15-20, Jesus estende a autoridade que concedeu a Pedro aos demais discípulos, como membros do corpo de Cristo. Esse tipo de autoridade era comum aos rabinos, que tinham o privilégio de dar “permissão” e “proibir”. Não se tratava de uma porção de poder exclusiva somente a Pedro. A Igreja também recebeu a mesma autoridade, pela qual proclamamos o evangelho, o perdão de Deus e o julgamento divino aos impenitentes. Contudo, o único que tem proeminência sem igual é Cristo, a pedra angular. Os demais crentes, inclusive Pedro, são as “pedras vivas” (v.5) nesta edificação.



O papel de Pedro, no Novo Testamento, está longe da reivindicação católica romana de que ele possuía e era autoridade sobre seus companheiros. Embora tenha sido o orador principal no dia de Pentecostes, no entanto, sua atuação no restante do livro de Atos é escassa, sendo considerado tão-somente como “um dos apóstolos”. De forma muito clara, o apóstolo Paulo falou o seguinte: “Em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos” (2Co 12.11). Será que uma leitura mais cuidadosa da carta escrita aos gálatas nos levaria a aceitar que algum apóstolo foi superior a Paulo? Claro que não. Pois Paulo disse ter recebido uma revelação (do evangelho) que não veio dos demais apóstolos (Gl 1.12; 2.2) e que o seu chamado era semelhante ao ministério de Pedro (Gl 2.8), a ponto de usar da autoridade que tinha como apóstolo para repreender duramente o próprio Pedro (Gl 2.11-14).



O fato de Pedro e João terem sido “enviados pelos demais apóstolos” a uma missão especial em Samaria demonstra que Pedro não tinha uma posição superior entre eles (At 8.4-13). Se Pedro de fato fosse superior aos demais, por que é dispensada ao ministério de Paulo uma atenção maior, fato constatado nos capítulos 13-28? No primeiro concílio realizado em Jerusalém (At 15), a decisão final não partiu de Pedro, mas, sim, dos apóstolos e dos anciãos. Além disso, foi Tiago, e não Pedro, que presidiu o conselho (At 15.13). em momento algum, já que era, segundo o catolicismo, superior aos demais apóstolos, Pedro reivindicou ser pastor das igrejas, antes exortou os presbíteros para que cuidassem do rebanho de Deus (1Pe 5.1, 2). Embora reconhecesse ser “um” apóstolo (1Pe 1.1), não se intitulou “o” apóstolo, ou chefe dos apóstolos. Sabia que era apenas “um” dos pilares da Igreja, junto com Tiago e João, e não “o” pilar (Gl 2.9). contudo, foi falível em sua natureza. somente a Palavra de Deus é infalível. Isso, no entanto, não quer dizer que Pedro não teve um papel significante na vida da Igreja.



Segundo afirma o catolicismo romano, os “sucessores” de Pedro ocupam sua cadeira. Quando, porém, analisamos as Escrituras, encontramos critérios específicos para o apostolado (At 1.22; 1Co 9.1; 15.5-8), de modo que não poderia haver sucessão apostólica no bispado de Roma ou em qualquer outra igreja.



Quanto às chaves entregues simbolicamente a Pedro, não significam que esse apóstolo tinha poder para fazer entrar no céu quem ele quisesse. Simplesmente representam a propagação do evangelho, pela qual todos os pregadores, e não apenas Pedro, podem abrir as portas dos céus aos pecadores que desejam ser salvos. Jesus foi explicito e enfático ao ordenar a divulgação das boas-novas em Lucas 24.46, 47. A mensagem de salvação produz arrependimento, por meio da fé na pessoa e obra de Cristo; ou seja, em sua morte e ressurreição. Pedro abriu as portas do céu para seus ouvintes no dia de Pentecostes (At 2.37-41) e na casa de Cornélio (At 10.42, 43).

Fonte:
Bíblia Apologética de Estudo – Edição Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original

domingo, 6 de junho de 2010

Lição 10 - O Valor da temperança

Jeremias 35.1-5, 8, 18, 19


Introdução
I. A origem dos recabitas
II. O estilo de vida dos recabitas
III. O exemplo dos recabitas


Conclusão



TRADIÇÃO: UMA ABORDAGEM EQUILIBRADA
O pós-modernismo é considerado, por alguns estudiosos, um tempo que marca a transição do modernismo para o tempo pós-industrial. Suas características são conhecidas pelas tentativas de desconstruções e relativizações com temas que supostamente eram inquestionáveis. As influências pós-modernas abrangem várias esferas, e uma delas que iremos abordar é a linguística.

Algumas palavras sofreram alterações ou influências normais ao longo dos séculos como, por exemplo, Anátema, que anteriormente era designada como coisa consagrada a outro deus de acordo com o contexto hebraico, mas o uso de acordo com o contexto helênico designou um objeto de maldição[1]. Hoje é impossível alguém atribuir outro significado, ao termo anátema, que não seja maldição. O progresso linguístico em qualquer vernáculo é natural e necessário. Diagnosticando o desenvolvimento da sociedade, é preciso que o vocabulário acompanhe-o naturalmente.

Os termos bíblicos fazem parte da língua nativa de cada povo que tem uma tradução disponível em seu idioma. E é comum que o exercício da pregação utilize essa língua para comunicar verdades reveladas. Nesse momento, esse exercício é representado por uma carga semântica local e vivencial do povo que faz uso de sua língua nativa.

É nesse contexto que se deve refletir até que ponto a palavra da língua nativa sofre um progresso natural do desenvolvimento do vernáculo nativo ou sofre um “preconceito linguístico” como resultado da desconstrução e relativização do pós-modernismo.

Uma das palavras-chave da presente lição é Tradição. Ela se acomoda perfeitamente no desenvolvimento preconceituoso da semantização que ela propõe hoje. As pessoas não se sentem a vontade ao ouvir a ideia de retorno à tradição ou o convite à conservação da tradição deixada pelos antigos.  Veja o que os principais dicionários falam acerca do significado do termo tradição:

“Ato ou efeito de transmitir ou entregar; Conjunto dos valores morais, espirituais etc., de uma geração para outra”.[2]

“A palavra grega paradosis ocorre 13 vezes no NT e é usada no sentido de um ensino que é transmitido de uma pessoa ou grupo para uma pessoa ou grupo.” [3]

Paradosis (gr.) condução para baixo, transmissão à geração seguinte ou condução em passagem seguinte, passagem adiante, transmissão denota tradição, e, consequentemente, por metonímia: os ensinos dos rabinos (Mt 15.2,3,6); os ensinos apóstolicos (1 Co 11.2), podendo aludir a doutrina cristã em geral para afirmar a autoridade divina”[4]

As definições apresentadas demonstram a semantização do termo em referência a conservação, permanência, continuidade e defesa dos ensinamentos adequados para uma comunidade. E no caso da igreja de Cristo, o exercício da irreversibilidade dos padrões ensinados por Cristo deve ser “o sonho de consumo” de cada crente.

Para discutir o real problema pejorativo do termo tradição, precisa-se primeiramente conceituar e buscar na sua origem o que os primeiros teóricos quiseram dizer com esse termo, conforme fizemos, anteriormente, de acordo com a esfera cristã. Porém, é preciso também entender o contexto histórico que a igreja se encontra hoje. No caso do Brasil, há um movimento permanente contra as formas instituicionais estabelecidas e um sentimento de procura de “libertação” de qualquer instituição. Há uma crise instalada nas instituições brasileiras, sejam elas políticas, sociais, privadas ou até religiosas. Isso denota naturalmente o esfriamento de qualquer perspectiva sustentável em relação à relevância das instituições.

Os principais movimentos de influências globais do pensamento (Renascentismo, Iluminismo, Revolução Francesa, etc) levaram a ideia ao extremo da desconstrução do absoluto e tudo o que denota o estabelecimento da verdade. Os termos Conservadores, Fundamentalistas ou Tradicionais são permanentemente enxovalhados por uma onda de “pensamentos libertadores” que estão dispostos a resolver as crises institucionais estabelecendo a anarquia. Mas o que é Tradicionalismo ou Conservadorismo? A resposta a essa pergunta vai depender dos pressupostos que os seus proponentes carregam em suas cosmovisões.

É claro que o extremo, como houve no tempo de Jesus, da tradição segundo o sentimento humano, foi opressor e manipulador. Nesse contexto a tradição não trazia a cura da alma, sendo uma realidade frustrante em muitos arraias ainda hoje. Jesus e os apóstolos sentiram isso na pele. Mas esse sofrimento não influenciou em nada o entendimento dos primeiros discípulos na cultivação sadia dos princípios ensinados pelo  seu Senhor, conforme nos relata John Stott: “Lemos que imediatamente depois do Dia de Pentecoste, os crentes cheios do Espírito estavam unânimes todos os dias no Templo, partindo o pão em casa, At 2.46. Assim, eles não rejeitaram imediatamente a igreja institucional” [5].
Sobre isso Stott continua:

Todos nós concordamos em que o Espírito Santo pode ser (e às vezes tem sido) aprisionado por nossas estruturas e sufocado por nossas formalidades. Contudo, há algo a ser dito em relação ao outro extremo. Liberdade não é sinônimo de anarquia. [6]
Justificando que nem toda tradição deve ser lançada fora, Stott sentencia:

Mas não podemos refugiar-nos na doutrina da invisibilidade da Igreja verdadeira para negar que Jesus Cristo tinha em mente que seu povo fosse visto e conhecido como tal. Ele mesmo insistiu no batismo como cerimônia de iniciação na sua Igreja, e batismo é um ato visível e público. Ele também institui a Santa Ceia como a refeição da comunhão cristã, pela qual a Igreja identifica a si mesma e exercita disciplina sobre os seus membros. [7]

Há questões que não podem ser negociadas, como, por exemplo, a vida em comunhão de uma comunidade (congregar é uma necessidade dos salvos em Cristo para edificação de sua fé), as verdades centrais da fé (Criação, Jesus Cristo, Salvação mediante a fé, Batismo no Espírito Santo, a Volta do Senhor, etc.) só para citar algumas.

Por outro lado a igreja não pode dar ênfase só a tradição (doutrina) em detrimento do amor.  Em Apocalipse o Senhor Jesus repreende a igreja de Tiatira porque, apesar de exercer o amor e o serviço exemplarmente, tolerava os ensinos de Jezabel e relaxava com o cuidado da conservação moral daquela igreja. Porém, a igreja de Éfeso era poderosa na ortodoxia e na moral, mas foi repreendida pelo Senhor porque se afastara do primeiro Amor.

Portanto, a Doutrina distinta do Amor gera uma igreja fria e o Amor desprovido de Doutrina gera uma igreja vulnerável. É preciso que o nosso cristianismo seja equilibrado nos dias hodiernos. 


Referência Bibliográfica


DICIONÁRIO BÍBLICO WYCLIFFE.
Rio de Janeiro, CPAD.
DICIONÁRIO VINE.
Rio de Janeiro, CPAD.
DICIONÁRIO HOUAISS da Língua Portuguesa
. Rio de Janeiro, EDITORA OBJETIVA.
STOTT, John R. W. Cristianismo Equilibrado. Rio de Janeiro, CPAD.


[1] DICIONÁRIO BÍBLICO WYCLIFFE. Rio de Janeiro, CPAD, p. 100.
[2] DICIONÁRIO HOUAISS da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, EDITORA OBJETIVA p. 2745.

[3] DICIONÁRIO BÍBLICO WYCLIFFE, p. 1955. O termo tinha dois significados: o primeiro se referia a interpretação oral do AT (Lei de Moisés, ensino de anciões e rabis judeus) e o segundo num sentido mais amplo onde o apóstolo Paulo usa o termo para denotar os seus ensinos (1 Co 11.2; 2 Ts 3.6).
[4] DICIONÁRIO VINE. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1030.
[5] STOT, John R. W. Cristianismo Equilibrado. Rio de Janeiro, CPAD, p. 53.
[6] STOT, p. 49.
[7] Stot, p. 49.

Lição 09 - Esperando contra a Esperança

Jeremias 30.7-11

Introdução
I. O que é esperança
II. A angústia de Jacó
III. O restabelecimento de Israel

 

A TEOLOGIA DA SUBSTITUIÇÃO E ISRAEL 
NO CONTEXTO HISTÓRICO DA BÍBLIA

A profecia bíblica tem uma particularidade em relação ao povo de Israel. Este povo protagoniza a maior parte da profecia, aproximadamente 70% dela. Para fazer este diagnóstico é preciso responder algumas perguntas: A profecia no Antigo Testamento tem como o público alvo quem? Todas as profecias em relação a Israel se cumpriram? Deus prometeu uma terra no Oriente Médio para a Igreja ou Israel? Essa promessa se cumpriu literalmente? Essas questões nos dias hodiernos têm despertado sentimentos opostos em relação à nação de Israel.
A eleição do método de interpretação da Escatologia tem levado à obtenção de informações distintas em relação ao papel que Israel desempenha na profecia bíblica.  Ao longo da história da igreja, alguns métodos foram desenvolvidos no compromisso de extraírem do texto bíblico a verdade mais clara e objetiva possível quanto ao esclarecimento do assunto. 
No contexto do Terceiro Século da Era Cristã, o período patrístico (desenvolvimento da doutrina pelos pais da igreja), se destacam três grandes escolas catequéticas de interpretação: Alexandria, Antioquia e Ocidental. Porém, a escola catequética de Alexandria destacou-se por desenvolver um método natural de harmonia entre a teologia e a filosofia (neoplatonismo) e desencadeiou um dos principais métodos de interpretação das Escrituras na igreja antiga: o método Alegórico[1]. Ele foi propagado pela escola de Alexandria e representado respectivamente por Filo, Clemente de Alexandria e Orígenes[2] respectivamente. A proposta era que toda a Escritura devia ser interpretada alegoricamente.
O clérigo cristão[3], formado por bispos e sacerdotes romanos influenciados por esse princípio hermenêutico, insistiu que o império tratasse o judaísmo com severidade, porque a perda do estado palestino (destruição de Jerusalém e do Templo no ano 70) era um sinal claro de que Deus rejeitara o povo judeu. É nesse contexto que a Teologia da Substituição ganha força, e a Igreja romana arroga para si o título de o novo “Israel de Deus” e julga Israel como o “povo rebelde que matou Jesus” e fora rejeitado para sempre.

Sobre a Teologia da Substituição, diz Arnold Fruchtenkbaum[4]:
A teologia da substituição entende que o moderno Estado israelense é apenas um acidente na história, sem nenhuma relação com a profecia bíblica. Segundo esta visão, quando Israel rejeitou o messiado de Jesus, Deus rejeitou o povo judeu. Assim, todas as profecias sobre o povo judeu já estariam cumpridas e não haveríamos de esperar nenhuma futura restauração. Deus transferiu para a Igreja todas as promessas de sua aliança com Israel, de modo que todas as promessas ainda não cumpridas serão concretizadas na Igreja. As profecias que falam sobre uma reunião mundial do povo judeu não devem ser entendidas de forma literal. Na verdade, falam sobre Deus reunindo seus eleitos na Igreja até que esta se complete. Os judeus de hoje podem ser salvos em Cristo, mas é necessário que se unam à Igreja. Deus não planejou uma restauração futura do povo de Israel como grupo étnico. Nada do que esteja acontecendo hoje com Israel está relacionado às profecias, e o povo judeu não possui nenhum futuro profético.  
As Assembleias de Deus no Brasil adota o método sadio de interpretação, mais conhecido como “Histórico-Gramatical” [5]. Esse método procura interpretar o texto bíblico compreendendo o seu contexto histórico e a semântica das palavras de acordo com as regras gramaticais. O texto bíblico é tratado com literalidade o que é inequivocamente literal e figurativo o que é claramente figurado. Estas regras de interpretação são estabelecidas de acordo com o que convencionalmente é aceito na comunidade internacional, ou seja, a interpretação do texto deve levar em conta o que o autor pensou, quis dizer, disse e o seu contexto vivencial. O método alegórico anula o que o autor disse e o seu contexto, propondo uma interpretação baseada nos pressupostos do intérprete em detrimento do contexto histórico e gramático do texto em análise.
Algumas escolas de interpretação que sofreram influências do Racionalismo, Existencialismo e Iluminismo têm dificuldades em analisar e afirmar a relevância de Israel hoje. O método que mais encarna essa influencia é o Histórico-Crítico, que como muleta tende a “desmitologizar” a Bíblia, fazendo do trabalho crítico (não o que faz a crítica textual) um pressuposto de anulação das Sagradas Escrituras.
Portanto, considerando o método histórico-gramatical, a nação de Israel possui um papel determinante na profecia bíblica. Há no texto bíblico, claros sinais de que Deus tratará com o seu povo, Israel, de forma distinta, objetiva e coletiva como vem acontecendo acerca dos séculos (Diáspora, pogroms dos czares na Rússia, o Holocausto na Alemanha, etc...). Constatar que Deus está no controle da história humana e a conduz com suas bondosas mãos, gera em nós um sentimento de Esperança que só nEle se pode achar.


Profecias sobre Israel:

Arrependimento da Nação – Dt 30.1-5; Is 27.12-13; Ez 39.25-29
Reunião na Terra Prometida – Ez 20.33-38
A nova aliança – Jr 31. 31-34
Reunião sem fé e pela fé – Is 11.11 – 12.6
O começo da grande tribulação – Dn 9.24-27; Is 28. 14-22
O terceiro templo e a abominação da desolação – Dn 9.27; Mt 24.15,16; 2 Ts 2.3,4; Ap 11.1,2.
Ezequiel: Gogue – Ez 38 e 39. 


Referência Bibliográfica

LAHAYE, Tim; HINDSON, Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Rio de Janeiro 1ª. ed. CPAD, 2008.

ALMEIDA, Abraão de. Israel, Gogue e o Anticristo. Rio de Janeiro, CPAD.
BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e descomplicada. Rio de Janeiro, CPAD, 2003.
BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo, Cultura Cristã, 2008.

[1] Eleição de uma interpretação no sentido figurado em detrimento do sentido literal.
[2]
Louis Berkof faz uma síntese sobre a história da interpretação do texto bíblico em sua obra “Princípios de Interpretação Bíblica” da Editora Cultura Cristã, pp.19-22.  
[3]
Entende-se por Clérigo Cristão a igreja romana que estava casada com o Estado através da figura de Constantino. Agora, a igreja que perseguia passara a perseguir as outras religiões, mas especialmente os judeus.
[4]
Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica de Tim Lahaye e Ed Hindson. Rio de Janeiro 1ª. ed. CPAD, 2008, p. 372, 3.
[5]
O professor Esdras Bentho faz uma análise minuciosa da evolução e contradições dos métodos de interpretação em sua obra “Hermenêutica Fácil e Descomplicada” nas pp.123-202. E Berkof, em sua obra “Princípios de Interpretação Bíblica”, traça a evolução histórica do método histórico gramatical nas pp.29-34. 
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